Atuais desafios da gestão de radiologistas

 Em Radiologia

Os radiologistas são profissionais altamente qualificados e, por isso, exigem um ambiente de trabalho de excelente nível, em termos tecnológicos, funcionais e financeiros.

Estes profissionais costumam aceitar bem uma liderança apenas quando enxergam mérito no líder. Radiologistas só confiam na liderança de outros radiologistas, e dos bons! Médicos de outras especialidades ou radiologistas tecnicamente fracos sofrem muito ao tentar liderar um time desta especialidade.

O mercado responde ao desafio de gerenciar radiologistas de duas formas: de um lado, temos as grandes corporações, que sempre utilizaram intensamente seus recursos como principal ferramenta para atrair e reter profissionais. Isso envolve bons salários, custeio de cursos e congressos, além é claro, de fornecer segurança e o status de se trabalhar numa empresa de renome. Estes serviços podem pagar por coordenadores e diretores médicos de inquestionável competência técnica na radiologia.

A concentração de “estrelas” nessas grandes empresas atrai o médico mais novo, que aceita trabalhar duro em troca da possibilidade de, um dia, se tornar um profissional respeitado e repetir o ciclo.

Do outro lado, hospitais e clínicas de menor porte ou instituições que estão começando a funcionar têm acesso limitado aos melhores profissionais, e se contentam em ser coadjuvantes no mercado de trabalho.

Durante muito tempo foi essa a lógica que prevaleceu.

Mas as coisas estão mudando muito rápido, principalmente em função das inovações em comunicação, do acesso à tecnologia e do perfil da nova geração de profissionais que chega ao mercado de trabalho, os radiologistas da Geração Y.

As novas tecnologias permitem mais mobilidade aos radiologistas, inclusive com o trabalho totalmente remoto, o que transforma a forma com que a equipe de médicos se relaciona e deve ser liderada. A credibilidade do líder torna­se ainda mais importante. As ferramentas de gestão da qualidade, produtividade e controle da lista de trabalho têm que ser aprimoradas, com informações em tempo real, por exemplo. Este é o cenário das empresas de telerradiologia, que necessitam, acima de tudo, gerenciar bem seus radiologistas a distância. Para isso, é fundamental garantir a qualidade dos laudos e colocar em uso as melhores práticas de comunicação e trabalho colaborativo, com o objetivo de atender a grandes volumes de solicitações de laudos com tempos de entrega curtos, especialmente para os exames de urgência.

Do lado da Geração Y, a web, o ensino a distância, o trabalho remoto, o capitalismo consciente e a nova economia (ou economia criativa), são os temas formadores desta turma, o que faz com que antigas regras, práticas de liderança e arranjos produtivos não façam mais sentido.

O impacto da Geração Y já foi avaliado em inúmeras áreas. Na radiologia, basta ver como este “tufão” está revirando a cabeça dos gestores tradicionais e, ao mesmo tempo, oferecendo uma grande oportunidade para quem sabe aproveitar as características desses jovens profissionais. Podemos citar:

  • Fim da separação de vida pessoal e profissional ­ – A Geração Y quer se sentir bem, tanto em casa, quanto no trabalho;
  • Valorização de um propósito ­ – Já não se busca trabalhar apenas pelo dinheiro. Os jovens buscam um trabalho que pague bem sim, mas com um propósito maior, como o impacto social;
  • Reconhecimento de uma liderança por mérito – ­ Líderes que não sabem colocar a mão­na­massa, que manifestam uma postura arrogante ou que não ouvem sua equipe não têm vez com a Geração Y.

Este cenário, no qual profissionais ultraqualificados (e escassos) buscam mais do que um bom salário já é um desafio e tanto, não? Por isso, afirmamos que, para um gestor de radiologistas é cada vez mais importante conhecer bem e adaptar seus processos e cultura às características tanto do radiologista tradicional quanto do radiologista da Geração Y, especialmente enquanto os dois estiverem convivendo na mesma unidade de laudos, fato cada vez mais comum.

Oferecer aos radiologistas um propósito que vai além do expediente e do salário no final do mês, é um dos caminhos, mas não o único. O uso intensivo de tecnologia é outro, mas não suficiente. Apenas instituições capazes de entender e enfrentar os desafios do mercado de trabalho em transformação terãoespaço nos corações e mentes dos radiologistas, de agora e do futuro.

 

 

Este artigo foi publicado originalmente na edição de agosto de 2015 do Jornal da Imagem, uma publicação da Sociedade Paulista de Radiologia (SPR).

 

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