RELAÇÃO CUSTO BENEFÍCIO ENTRE RESSONÂNCIAS DE 1,5T E 3T

Diferenças entre os equipamentos de ressonância.

Para Doug Kreis e a equipe do Alpena Regional Medical Center em Michigan, contemplar a compra de uma ressonância magnética (RM) de mais de 1 milhão de dólares envolveu uma pesquisa meticulosa e uma cuidadosa consideração antes de se comprometer com um considerável investimento nesse equipamento que iria moldar as metas de longo e curto prazo no cuidado de paciente desse hospital de 146 leitos.

No papel de administrador de empresas, também diretor de diagnóstico por imagem e serviços de oncologia da Alpena, Kreis passou os últimos meses analisando se valeria substituir a atual unidade de ressonância magnética de 1,5-tesla por um aparelho de potência similar, ou aprimorar para um aparelho de 3-tesla, com vistas às necessidades de imagem da próxima década.

Assim como outros radiologistas, médicos e executivos de unidades de assistência médica e serviços de imagem descobriram que múltiplos fatores influenciam na decisão final.

Crescendo aos trancos e barrancos

Alpena cresceu “aos trancos e barrancos nos últimos 10 anos”, disse Kreis, em parte devido à sua localização geográfica isolada no nordeste do Michigan, às margens do Lago Huron, e em parte devido ao fato de que o aparelho de ressonância magnética mais próximo fica a mais de 100 km de distância. A unidade realiza anualmente cerca de 5.000 exames de ressonância magnética com a sua única RM de 1,5-tesla. Dos mais de 400 exames mensais de ressonância magnética, apenas cerca de 25 são feitos em pacientes internados.

Aproximadamente 80% das 25.000 pessoas que a Alpena atende são pacientes beneficiários do Medicare ou Medicaid (similares norte-americanos ao SUS brasileiro), com sua grande maioria sendo pacientes idosos que tem mais chances de possuírem dispositivos implantados, não aprovados para o aparelho de RM de 3-tesla pelo Food and Drug Administration (FDA), dos EUA.

“Fazemos uma média de 250 implantes ortopédicos por ano nessa unidade”, disse Kreis. “Eu quero mesmo comprar um imã 3-tesla por 2 milhões de dólares, numa área praticamente de paciente idosos? Não é preciso muito tempo para estimar uma percentagem significativa de pessoas que não poderiam acessar os cuidados desta nova, e cara, aquisição.”

Custo VS. Benefício

Custo-benefício é “afinal o que todo mundo tem que provar para que o diretor financeiro comprometa 2 milhões de dólares para comprar uma nova RM”, disse Tobias Gilk, presidente e diretor de segurança em RM para Mednovus, assim como vice-presidente sênior do escritório de design e arquitetura Rad-Planning. “Para os centros ambulatoriais de imagem do tipo feijão-com-arroz, a principal preocupação é o custo-benefício, e em bater os seus números trimestrais e anuais.”

Gilk estimou que uma nova ressonância de alto campo 1,5-tesla custe em torno de 1.5 milhões de dólares, e “talvez ainda mais do que isso,” dependendo da configuração e acessórios. Um aparelho de RM de 3-tesla com características semelhantes sairia em torno de 2.2 a 2.3 milhões de dólares.

Centros de imagem ressaltam que, nos Estados Unidos, as centrais de Medicare, Medicaid, assim como companhias privadas, reembolsam o mesmo valor para um exame de RM, independente da potência do imã, apesar dos custos fixos de um imã 3-tesla serem significantemente maiores.

Sendo esse o caso, a decisão de investir pesadamente em um sistema de ressonância magnética deve ser baseada em mais do que “cuidado ao paciente”.

“Esse é um investimento de US $ 1 milhão em marketing”, disse Gilk. “Os provedores de imagem estão dizendo: ‘Ei, o pessoal da cidade vizinha tem uma ressonância magnética de 1,5-tesla. Como podemos nos diferenciar? Como podemos oferecer algo a este mercado que os outros provedores não podem ou não fazem?”

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Ferramenta de recrutamento

Além de atrair mais pacientes e encaminhamentos para a sua instalação, um hospital pode usar uma RM de 3-tesla como uma ferramenta de recrutamento para atrair neurorradiologistas e ortopedistas que preferem trabalhar com um imã de potência maior e imagens mais detalhadas.

No entanto, a potência de um RM de 3-tesla também pode ser uma desvantagem. Como Kreis mencionou, Gilk também salientou a questão da segurança em relação aos dispositivos implantados e a falta de informação sobre os potenciais efeitos adversos dos campos magnéticos de ressonância magnética de 3-tesla sobre um paciente, em comparação com os dados disponíveis sobre 1,5 tesla.

“Destrinchar essas questões é o maior problema para todo tecnólogo de RM. Ele deve questionar: qual é o aparelho implantado? Quem o testou? Quais resultados tiveram? Se é seguro utilizar esse imã?” Gilk acrescentou. “Para uma unidade que vá comprar sua primeira, e única, ressonância, a decisão mais segura é ir com o sistema de 1,5-tesla.”

A Universidade de Medicina de Chicago (UCM) tem que lidar diariamente com problemas de dispositivos implantados. Essa unidade de 550 leitos realiza anualmente mais de 18.000 exames de RM e conta com oito aparelhos de ressonância em operação (seis unidades de 1,5-tesla e dois imãs de 3-tesla), dois destes são usados para pesquisa.

“Se algo é seguro num 1,5-tesla, ele não deve ser automaticamente aceito como sendo bom num 3-tesla”, disse o Dr. Aytekin Oto, professor de radiologia e diretor de imagem de ressonância magnética de corpo no UCM. “A questão de segurança deve ser avaliada caso-a-caso”.

A UCM também direciona suas pacientes grávidas para a RM 1,5-tesla. Mesmo que atualmente não existam dados humanos indicando possíveis riscos conhecidos em fetos, a pesquisa disponível nesse campo é limitada, especialmente em casos de imãs com potência maior do que 1,5-tesla, disse Oto.

“A taxa de absorção específica e o ruído são dois problemas que ficam maiores num 3-tesla em comparação com um 1,5-tesla e que podem, pelo menos potencialmente, causar efeitos adversos para o feto”, ele acrescentou. “Em suma, não existe uma vantagem óbvia de se usar um 3-tesla ao invés um 1,5-tesla para as indicações de RM para gravidez. Portando não há motivo para aumentar esse risco.”

Próxima compra

Recentemente, Oto e seus colegas analisaram opções para comprar seu próximo sistema de RM. “Não foi uma decisão muito complicada”, ele disse. “Nós decidimos seguir com o 3-tesla”

A decisão foi tomada, em parte, por conta do design do novo sistema 3-tesla, que possui um diâmetro maior para o conforto do paciente, além de acolher muitos dos mesmos pacientes que uma unidade 1,5-tesla faz.

“Antes, havia uma limitação com RM de corpo e abdominal”, com a RM de 3-tesla, Oto disse. “Havia um monte de artefatos, mas com a nova tecnologia, a homogeneidade não é mais um problema. Nós podemos oferecer todos os tipos de exames de RM com a mesma qualidade.”

Assim, exames de ressonância magnética de 3-tesla estão em “alta demanda” entre todos os médicos da UCM por causa da qualidade de imagem melhorada, disse Oto. A maior parte do volume de 3-tesla são casos de neurorradiologia, seguido por músculo-esquelético e ressonância magnética do corpo.

Para neurorradiologia, a RM de 3-tesla é usado para a espectroscopia, ressonância magnética funcional, e angiografia, enquanto especialistas osteomusculares notam que imagens de joelhos, ombros e outras articulações são muito mais claras num 3-tesla. Oto, que é especialista em radiologia abdominal, utiliza a RM de 3-tesla para a próstata, câncer de reto, estadiamento do câncer, e imagens da pélvis feminina / ginecologia.

Decisão final

Enquanto UCM tem mais recursos financeiros do que centros de imagem e hospitais menores como a Alpena, Oto disse que a entidade, “não tem uma quantidade infinita de recursos,” especialmente agora que estão construindo um novo hospital.

“Definitivamente tem que se fazer uma avaliação dependendo da situação financeira, mas a vantagem de melhorar a comercialização, atrair mais pacientes, e oferecer exames de alta qualidade devem ser levados em consideração na tomada de decisão”, concluiu.

De volta ao Alpena Regional Medical Center, a decisão final foi permanecer com um sistema de ressonância magnética de 1,5 tesla. O principal fator que influenciou a decisão foi a capacidade do sistema de atender o maior número de pacientes na região quanto possível. Kreis disse que os avanços na tecnologia de bobina também têm melhorado a qualidade de imagem da RM de 1,5 tesla para torná-la uma opção viável.

“Se fôssemos um departamento com dois imãs, estaríamos comprando um 3-tesla”, acrescentou. “Servir aos pacientes é prioridade do hospital; O 3-tesla compromete demais a população que servimos. Esta é a decisão certa para nós no longo prazo”

Link para a notícia original, em inglês.

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