Coronavírus (COVID-19) informe médico na pandemia

 Em Artigo, COVID-19, Radiologia

O INFORME ABAIXO FOI ATUALIZADO EM 27 DE ABRIL DE 2020.

Telelaudo podcast: O Papel da Radiologia na PandemiaNossa equipe médica fez o resumo abaixo sobre o que os Serviços de Radiologia devem esperar nas próximas semanas e o que já se sabe a respeito do Coronavírus COVID-19 até o momento (dia 27 de abril de 2020).

A radiologia tem um importante papel no reconhecimento e diagnóstico precoce desta patologia, o que traz benefícios não só aos pacientes mas, também, para gestores de saúde e sistemas de combate e resposta à pandemia.

Tanto os radiologistas, quanto nosso time de suporte, atendimento e tecnologia estão trabalhando remotamente, portanto, conte conosco.

Dra. Mariana Coelho, Diretora médica Telelaudo.

 


De acordo com um documento elaborado em abril/2020 pela sociedade Fleischner:

  • Os exames de imagem não estão indicados como triagem em pacientes assintomáticos.
  • Imagem não está indicada em pacientes com suspeita de COVID-19 e sintomas leves a não ser que estejam em risco de progressão de doença, como por exemplo pacientes acima de 65 anos com comorbidades.
  • Imagem está indicada em paciente com COVID-19 com quadro moderado e grave ou que apresentou piora do status respiratório.
  • Em um ambiente com recursos limitados, a imagem está indicada para triagem de pacientes suspeitos para COVID-19 que apresentam quadro clínico moderado-severo e alta probabilidade de doença antes de confirmação de testes específicos.
  • Raios-X diário não está indicado em pacientes com COVID-19 estáveis e intubados.
  • Em um ambiente com recursos limitados onde o acesso à TC é restrito, RX pode ser preferido para paciente com COVID-19 a não ser que haja piora dos sintomas respiratórios.
  • Todos os organismos internacionais até o momento reafirmam a necessidade de confirmação laboratorial, mesmo em pacientes que apresentam quadro clínico e achados de imagem altamente sugestivos de COVID-19.
  • Há de se considerar que o controle de infecção em serviços radiológicos, passa pela redução do uso não indicado de métodos de diagnóstico por imagem.

 

  • O coronavírus faz parte de uma grande família de vírus que causam doenças respiratórias já conhecidos desde os anos 60.
  • COVID-19 é a doença causada pelo último coronavírus descoberto “SARS-CoV2” em meados de dezembro na China.
  • Sintomas em geral são febre, tosse, dispnéia e mialgia, alguns paciente evoluem para Sindrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
  • Até este momento a Sociedade de radiologia torácica norte americana não recomenda de rotina Tomografia Computadorizada (TC) de tórax como triagem de pacientes suspeitos e sob investigação para COVID-19.
  • TC pode ser restrita a pacientes que testaram positivo para a COVID-19, com suspeita para complicações como abscesso ou empiema.
  • Mais que 50% dos pacientes com COVID-19 pode ter imagem de RX e CT normal entre os dias 0-2 do início dos sintomas.
  • O teste laboratorial COVID-19 RT-PCR pode ter baixa sensibilidade (60-70%), logo pacientes sintomáticos com alterações na TC de tórax podem testar inicialmente negativo para o vírus.
  • Achados iniciais da TC incluem opacidades em vidro fosco bilaterais, periféricas que predominam em lobos inferiores. As alterações são mais típicas de um padrão de pneumonia em organização.
  • Apesar dos achados bilaterais serem mais típicos, o achado unilateral não elimina a possibilidade de COVID-19, especialmente no início dos sintomas.
  • A progressão da doença demonstra alterações como de pavimentação em mosaico (opacidades em vidro fosco associadas ao espessamento de septos interlobulares e linhas intralobulares) e áreas de consolidação parenquimal, em média com pico nos dias 9-13 do curso da doença, tendendo a reduzir as dimensões e quantidade de lesões em, aproximadamente, 1 mês.
  • Opacidades tendem a ter distribuição geográfica.
  • Em alguns casos sinal do halo reverso é encontrado, caracterizado por opacidade em vidro fosco ovalada, margeada por consolidação.
  • Derrame pleural, diminutos nódulos esparsos e linfoadenopatia ocorre em um número muito pequeno de casos e sugerem superinfecção bacteriana ou outro diagnóstico.
  • Estes dados sugerem que os achados de TC são similares com outras doenças virais respiratórias como SARS e MERS. Alguns estudos recentes, demonstraram ausência de lesões cavitárias, derrame pleural e linfoadenopatia, bastante similar aos estudos prévios de SARS.
  • Em estudos prévios, pacientes recuperados de MERS demonstraram em TCs de acompanhamento alterações fibróticas residuais. Ainda é muito cedo para avaliar se tal padrão também será encontrado em casos de COVID-19.
  • Em meio ao surgimento de novos casos, outros padrões tomográficos podem ser relatados.

 

Imagens de casos:

1- RX de tórax em um paciente com COVID-19 demonstra opacidades na região infra-hilar à direita.

 

2-TCAR demonstra opacidades em vidro fosco periféricas no lobo inferior direito.

 

3- Opacidades em vidro fosco periféricas, com sinal do halo reverso (seta)

 

Links para mais informações:

 

Referências:

  • Kong W, Agarwal PP. Chest Imaging Appearance of COVID-19 Infection. Radiology. Published online February 13, 2020. https://pubs.rsna.org/doi/10.1148/ryct.2020200028
  • Chung M, Bernheim A, Mei X, Zhang N, Huang M, et al.  CT Imaging Features of 2019 Novel Coronavirus (2019-nCoV).  Radiology. Published online February 4, 2020. https://doi.org/10.1148/radiol.2020200230
  • Kanne JP, Little BP, Chung JH, Elicker BM, Ketai LH.  Essentials for Radiologists on COVID-19: An Update—Radiology Scientific Expert Panel.  Radiology. Published online February 27, 2020. https://doi.org/10.1148/radiol.2020200527
  • Society of Thoracic Radiology (STR) Position Statement March 10, 2020.  https://veritastv.org/programs/covid-19
  • Holshue ML, DeBolt C, Lindquist S, Lofy KH, et al. First Case of 2019 Novel Coronavirus in the United States. The New England Journal of Medicine, March 5, 2020.
  • “Radiological Society of North America Expert Consensus Statement on Reporting Chest CT Findings Related to COVID-19”. Endorsed by the Society of Thoracic Radiology, the American College of Radiology, and RSNA, Scott Simpson DO, Fernando U. Kay MD PhD, Suhny Abbara MD2, Sanjeev Bhalla MD3, Jonathan H. Chung MD4, Michael Chung MD5, Travis S. Henry MD6, Jeffrey P. Kanne MD7, Seth Kligerman MD8, Jane P. Ko MD9, Harold Litt MD PhD1. Publicado em: Radiology, Cardiothoracic Imaging, Volume 2, Issue 2, 25 de março de 2020. https://pubs.rsna.org/doi/10.1148/ryct.2020200152
  • “The Role of Chest Imaging in Patient Management during the COVID-19 Pandemic: A Multinational Consensus Statement from the Fleischner Society”, Geoffrey D. Rubin, Christopher J. Ryerson, Linda B. Haramati, Nicola Sverzellati, Jeffrey P. Kanne, Suhail Raoof, Neil W. Schluger, Annalisa Volpi, Jae-Joon Yim, Ian B. K. Martin, … entre outros autores. Publicado em: Radiology, 7 de abril de 2020. https://www.rsna.org/en/news/2020/April/Fleischner-Statement-COVID-19
  • “Recomendações de uso de métodos de imagem para pacientes suspeitos de infecção pelo COVID-19”, website CBR, publicado em 16 de março de 2020. https://cbr.org.br/recomendacoes-de-uso-de-metodos-de-imagem-para-pacientes-suspeitos-de-infeccao-pelo-covid-19/

 

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