Como a telemedicina está ajudando os brasileiros no diagnóstico de câncer?

 Em Telemedicina

Emissão de laudos a distância garante agilidade e qualidade em casos oncológicos

A telemedicina consiste na prestação de serviços e realização da medicina a distância visando à superação de barreiras geográficas que possam limitar o acesso de pacientes ou fornecimento do suporte médico especializado.

Com questões ainda em aberto devido à regulamentação da área, a telemedicina tem sido cada vez mais usada para atendimento médico de alta complexidade, como no caso do diagnóstico e acompanhamento de pacientes com câncer.

A seguir saiba como a telemedicina tem sido usada no diagnóstico de câncer e quais melhorias podem beneficiar pacientes e equipes médicas.

Como a medicina a distância pode beneficiar casos oncológicos?

Atualmente, o Brasil dispõe de um oncologista clínico para cada 170 pacientes com câncer, o que representa uma quantidade adequada aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar disso, o País ainda sofre com a desigual distribuição de profissionais no território, sendo que enquanto em São Paulo são mais de mil oncologistas, o estado de Roraima tem apenas cinco profissionais da área.

Esse cenário torna crítico o diagnóstico de câncer e suporte adequado ao paciente em regiões do País que são deficitárias, aumentando a importância da medicina a distância para esses casos.

Ainda que clínicos gerais possam atuar eficaz e proativamente na prevenção do câncer, solicitando exames de rastreamento periódicos, os passos seguintes do diagnóstico e tratamento são difíceis em determinadas regiões.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) destaca-se a falta de estrutura somada à ausência de profissionais especializados, o que abre uma oportunidade para o uso da medicina a distância em prol desses pacientes.

Quando ocorre o diagnóstico de câncer nesses locais com déficit de oncologistas e estrutura, em geral, o paciente precisa deslocar-se para centros urbanos maiores em busca da confirmação do diagnóstico e tratamento.

Essa migração acarreta despesas com saúde, transporte e estadia que restringem o acesso a suportes médicos de qualidade.

No entanto, a SBOC identifica que a tecnologia, em especial à medicina a distância, é uma oportunidade de transformação desse cenário ao viabilizar a orientação adequada sobre diagnóstico e encaminhamento dos casos.

De acordo com a organização são diversos os recursos da telemedicina que poderão ser usados quando houver uma regulamentação específica da área, como consultas via videoconferência, análise de laudos e monitoramentos de pacientes na UTI.

Atualmente, a análise de exames a distância com emissão de laudos já é possível por meio da telerradiologia que já tem diretrizes claras definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Segundo a SBOC por meio da telemedicina é possível transformar a vida de pacientes viabilizando suporte médico especializado onde essa possibilidade era inacessível.

A ideia é que a telemedicina ampliará as possibilidades da medicina tradicional complementando-a ao melhorar a comunicação entre pacientes e agentes de saúde e agregar no atendimento, diagnóstico e tratamento.

Telemedicina no Brasil

Como a telemedicina já é usada no diagnóstico de câncer?

Em outros países a regulamentação da medicina a distância está avançada de tal forma que já podem ser observados resultados consistentes do uso da tecnologia no diagnóstico de câncer e acompanhamento de casos oncológicos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, foi desenvolvido em 2012 um programa de telemedicina focado em oncologia para pacientes veteranos de guerra.

O funcionamento do programa permitia que um oncologista localizado em uma grande cidade realizasse por videoconferência consultas pré e pós-operatórias. O paciente oncológico só precisava se deslocar em caso de cirurgia ou procedimento.

Os exames eram conduzidos localmente no paciente com auxílio de um enfermeiro supervisionado pelo oncologista via videoconferência.

Entre 2012 e 2014 o programa viabilizou o atendimento de 296 pacientes com 755 teleconsultas. A distância percorrida pelos pacientes entre início e final do tratamento diminui 80,7%, proporcionando uma economia de US$ 88,3 mil com deslocamento e US$ 67,2 mil em hospedagem.

Além da economia e facilidade para os pacientes e equipe médica, a avaliação do serviço foi positiva pelos pacientes.

Como a telerradiologia contribui para o diagnóstico de câncer?

Ainda que a realização de consultas a distância ainda não seja permitida do Brasil por se tratar de um serviço de telessaúde que ainda não é regulamentado, a medicina a distância já é usada em casos oncológicos.

A telerradiologia, que consiste na emissão de laudos médicos a distância, garante que exames realizados localmente possam ser interpretados e analisados por especialistas quando a localidade ou hospital não dispõe desses profissionais.

Dessa forma, exames como raios-x, tomografia, mamografia e ressonância magnética são realizados na localidade de moradia do paciente e enviados ao serviço de telerradiologia que pode estar localizado em qualquer outra região do País.

O serviço de telerradiologia, por sua vez,, conta com uma equipe de radiologistas especializados, o que garante a qualidade e assertividade na interpretação de exames e emissão de laudos que são devolvidos por sistemas conectados à internet.

Casos emergenciais, como em alguns casos oncológicos, podem ter o laudo emitido e devolvido em média em até 60 minutos, garantindo a agilidade do encaminhamento médico.

Portanto, mesmo com serviços ainda limitados, a medicina a distância já proporciona benefícios importantes a pacientes e médicos devido ao uso da telerradiologia.

Referências:

jornaldiadia.com.br/

portalhospitaisbrasil.com.br/

iess.org.br/

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